Botando esse feminismo à prova (ou: O dia em que meu menino quis usar vestido)

Gente, confesso que usei uma manchete sensacionalista.
O Pedro não quis usar vestido. E isso só torna a situação pior!
Antes que digam que estou querendo incitar qualquer tipo de comportamento no meu filho, vou contar a situação! Acompanhem:

Sábado ganhamos presentes da vovó. A Diana ganhou um vestido da Frozen, o Pedro ganhou uma blusa do Homem Aranha. Festa pra lá, festa pra cá, Diana bota vestido, Pedro não quis botar a camisa.
Dois minutos depois, Diana vem querendo tirar o vestido. "Quero blusa do Homialanha". Expliquei que a blusa era do Pedro, Vovó tinha dado pro Pedro, mas como ele não queria usar agora, ela podia usar. Tirei o vestido da Frozen, coloquei a camisa do Homem Aranha nela. Pedro, do lado, olhou para o vestido, ainda na minha mão. 

Suei frio.

Confesso, suei frio sim. Pensei: SE ELE QUISER BOTAR O VESTIDO QQ EU FAÇO MEU DEUS?

E em milissegundos, todas as teorias, debates, ativismos, etcetcetcetc sobre feminismo pareceram muito distantes. Fiquei com vergonha desse meu pensamento totalmente machista e pensei um zilhão de coisas. 
Pensei que é claro que eu botaria o vestido, se ele pedisse. 
Pensei que jamais ia dizer que vestido é coisa de menina. 
Pensei que vestido, mesmo se for de menina, menino pode usar. 
Pensei que não é o vestido que faz ele ser menina.
Pensei que não é problema nenhum ser menina.
Pensei que ele pode querer ser menina.

Quando voltei dos pensamentos, vi o Pedro desviando o olhar do vestido, sem manifestar nenhum interesse em vestí-lo. Saiu andando e nem deu a mínima.

Mas já era tarde, eu já vi que o preconceito em mim ainda existe. Sei que, naquele momento, meu suor frio foi uma reação baseada em tudo que aprendi e vivi desde criança. Aprendi homofobia, aprendi transfobia. Mesmo lutando contra isso hoje, essas fobias são vírus internalizados em mim, em nós. 
Como mãe, ainda tem o componente do medo: o de ter um filho que vai sofrer E MUITO. Ninguém quer trazer um filho pra um mundo que não vai aceitá-lo. Nenhuma mãe quer o filho como manchete de jornal, tendo sido espancado por homofóbicos. Recomendo esse post do Blog Pai Gay: Quem quer ter um filho gay?

Por isso, cada vez mais, é importante combater os hábitos que perpetuam essas "fobias".
Não sei da orientação sexual dos meus filhos, não sei qual sua identidade de gênero, ainda. Mas desde já sei que preciso combater o preconceito, tanto em mim quanto nos outros, esse preconceito pequenininho que começa com "roupas de menino" e "roupas de menina" e termina com assassinato de homens e mulheres apenas por serem transexuais.

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