Clic para ler a parte I da Saga.
Clic para ler a parte II.
No dia em que tivemos que nos render ao complemento, aos 15 dias de nascidos, passei muitas horas na cama. Me achei insuficiente, me achei incapaz, me achei muito errada. Meu marido comprou o complemento e hoje nem me lembro mais quem cometeu o ato simbólico de dar a primeira mamadeira. Os parcos 30mLzinhos pra cada que eu era incapaz de produzir.
Existem muitas técnicas pra dar complemento
para recém nascidos, pra minimizar o tal efeito de confusão de bicos e evitar que eles larguem o peito. Nós escolhemos uma mamadeira bem parecida com o seio materno, da Chicco, e uma estratégia de amamentação que era basicamente deixar que o bebê mamasse no peito o quanto quisesse e, após largar, oferecer a mamadeira. Todas as mamadas eram assim. Tem pediatras que recomendam revezamento: uma mamada no peito, a próxima na mamadeira. Mas essa técnica não estimula tanto a produção, porque por mais que o peito encha mais entre as mamadas, justamente por ele encher o corpo não entende que tem que produzir mais. Então a produção de leite não aumenta. Oferecer sempre o peito em todas as mamadas e deixar vazio é o que vai dizer pro corpo que a demanda está grande e que tem que produzir mais.
Aí entra mais um erro que cometi. Digo que foi erro, porque prejudicou meu objetivo final, que era amamentar exclusivamente. Eu cortei a mamada da madrugada. Eu estava esgotada. Então negociei que de madrugada daríamos somente complemento. Passei então a dizer pro meu corpo, sem saber, que ele não precisava produzir tanto leite assim, pois ficava com os seios muito cheios de manhã. Era uma felicidade, já que de manhã eu não precisava nem dar complemento! O leite chegava pros dois! Mas o que eu não sabia era a consequência ruim disso.
Outro problema era a dor. Eu sofria com o medo da hora de amamentar. Passei a usar uns bicos de silicone para diminuir a dor, mas mesmo assim era um desconforto, doía, era terrível. Aí eu aumentava ao máximo os intervalos das mamadas, isso também prejudicava a produção.
Lembro que, com o complemento, dormiram como nunca. E eu, com eles. A partir desse dia, dormi. Dormi como há 15 dias não dormia, dormi 3h seguidas. Na consulta seguinte, a pediatra perguntou como foi. E eu disse que estava tudo indo muito bem. A resposta: `Eu sei, você está com uma cara muito melhor!` Eu devia estar um caco! Agora, dormindo e com as crianças chorando MUITO menos, já que estavam alimentadinhas, eu pude relaxar. Não sei se foi o efeito do remédio antidepressivo (pra aumentar a produção de leite) ou apenas estar dormindo mais, mas devo assumir que o complemento era justamente o que precisávamos. Eu estava neurótica, estressada, cansada, estressando os bebês e as pessoas à minha volta, que me estressavam de volta dizendo `Acho que eles estão com fome…` o tempo todo! O complemento ajudou muito a relaxar e a ter pacíficos dois primeiros meses.
Lógico, eu não estava satisfeita. Eu tinha um objetivo e ia chegar nele. Tinham me dito que pra amamentar exclusivamente basta acreditar e estimular. E era isso que eu ia fazer!
(Aguardem o capítulo IV - Tempestades e mares turbulentos)
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No dia em que tivemos que nos render ao complemento, aos 15 dias de nascidos, passei muitas horas na cama. Me achei insuficiente, me achei incapaz, me achei muito errada. Meu marido comprou o complemento e hoje nem me lembro mais quem cometeu o ato simbólico de dar a primeira mamadeira. Os parcos 30mLzinhos pra cada que eu era incapaz de produzir.
Existem muitas técnicas pra dar complemento
para recém nascidos, pra minimizar o tal efeito de confusão de bicos e evitar que eles larguem o peito. Nós escolhemos uma mamadeira bem parecida com o seio materno, da Chicco, e uma estratégia de amamentação que era basicamente deixar que o bebê mamasse no peito o quanto quisesse e, após largar, oferecer a mamadeira. Todas as mamadas eram assim. Tem pediatras que recomendam revezamento: uma mamada no peito, a próxima na mamadeira. Mas essa técnica não estimula tanto a produção, porque por mais que o peito encha mais entre as mamadas, justamente por ele encher o corpo não entende que tem que produzir mais. Então a produção de leite não aumenta. Oferecer sempre o peito em todas as mamadas e deixar vazio é o que vai dizer pro corpo que a demanda está grande e que tem que produzir mais.
Aí entra mais um erro que cometi. Digo que foi erro, porque prejudicou meu objetivo final, que era amamentar exclusivamente. Eu cortei a mamada da madrugada. Eu estava esgotada. Então negociei que de madrugada daríamos somente complemento. Passei então a dizer pro meu corpo, sem saber, que ele não precisava produzir tanto leite assim, pois ficava com os seios muito cheios de manhã. Era uma felicidade, já que de manhã eu não precisava nem dar complemento! O leite chegava pros dois! Mas o que eu não sabia era a consequência ruim disso.
Outro problema era a dor. Eu sofria com o medo da hora de amamentar. Passei a usar uns bicos de silicone para diminuir a dor, mas mesmo assim era um desconforto, doía, era terrível. Aí eu aumentava ao máximo os intervalos das mamadas, isso também prejudicava a produção.
Lembro que, com o complemento, dormiram como nunca. E eu, com eles. A partir desse dia, dormi. Dormi como há 15 dias não dormia, dormi 3h seguidas. Na consulta seguinte, a pediatra perguntou como foi. E eu disse que estava tudo indo muito bem. A resposta: `Eu sei, você está com uma cara muito melhor!` Eu devia estar um caco! Agora, dormindo e com as crianças chorando MUITO menos, já que estavam alimentadinhas, eu pude relaxar. Não sei se foi o efeito do remédio antidepressivo (pra aumentar a produção de leite) ou apenas estar dormindo mais, mas devo assumir que o complemento era justamente o que precisávamos. Eu estava neurótica, estressada, cansada, estressando os bebês e as pessoas à minha volta, que me estressavam de volta dizendo `Acho que eles estão com fome…` o tempo todo! O complemento ajudou muito a relaxar e a ter pacíficos dois primeiros meses.
Lógico, eu não estava satisfeita. Eu tinha um objetivo e ia chegar nele. Tinham me dito que pra amamentar exclusivamente basta acreditar e estimular. E era isso que eu ia fazer!
(Aguardem o capítulo IV - Tempestades e mares turbulentos)
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