A Saga da Amamentação - parte II - Os primeiros 15 dias.

       Depois do primeiro capítulo da Saga da Amamentação, enfim em casa. A verdadeira saga começava. Eu tinha 3 coisas em mente:

       1. Quanto mais estímulo, mais leite.
       2. Chorou, bota no peito.
       3. Amamentar os dois ao mesmo tempo pra dar mais tempo de dormir.

       Como a Diana nasceu com aquelas questões de possível hipoglicemia,
a instrução era que ela não ficasse mais de 4h sem mamar. Do contrário, se estivessem dormindo, deixava dormir. E eles quase não choravam... Eu e minha mania de internet, acabei vendo que crianças com hipoglicemia podem dormir demais, então eu já achava que estavam dormindo demais porque estavam desnutridos... Ficava no constante conflito entre acordá-los a cada 3h ou descansar mais um pouco.

       Mas desde cedo pegaram um ritmo, na maioria do tempo, de mamar a cada 2:30h. Só que ficavam meia hora, pelo menos, mamando. E eu, sem a menor experiência, não sabia dizer "quando". Recém nascidos e sua sutil arte de se saciarem. Sutilíssima, pois o limite entre estar se alimentando, estar aprendendo a se alimentar e estar apenas saciando sua necessidade de sucção em recém nascidos é impossível de discernir! Eu nunca havia estado nessa posição, então a única coisa que pude pesquisar é que recém nascidos mamam por volta de meia hora. E quando passava de meia hora? E quando ficavam uma hora? Nessa hora que a consultora de amamentação deveria ter entrado em cena. Não entrou. E eu fiquei com as dúvidas.

       De madrugada, choravam. Hoje, penso que toda madrugada eu deveria ficar com eles mamando... Sempre que chorassem. Meu marido e minha mãe ficavam com eles no colo, acalentando, até que parassem de chorar. Esse foi o grande erro número 1 pra quem queria, como eu, amamentar exclusivamente. Recém nascido chorou, é fome. Mas duas coisas me fizeram não tomar essa atitude. A primeira foi a preocupação de estarem mamando só pela sucção. Então acabei reprimindo e controlando horários. "Oras, já mamaram há 1h atrás, não podem estar com fome de novo." Então eu não dava. Grande erro, grande erro.

       A outra coisa foi a pediatra. Ela falou que 1h era muito pra recém nascidos mamarem, então provavelmente era chupetação. Então chegava meia hora, 40 minutos, eu tirava as crianças. Grande erro número 2. Recém nascido, chorou bota no peito e deixa quanto tempo quiser. Isso teria estimulado a minha produção, teria ajudado as crianças a ter uma pega melhor e principalmente, teria feito eles se alimentarem! Porque com uma semana de amamentação exclusiva, eles tinham engordado apenas 100 gramas. Ou seja, nada.

       E começou o maior problema das mães de primeira viagem: meus mamilos estavam começando a machucar, a doer... E a dor era tão grande que me fazia temer a próxima hora de amamentar... Eu tentava mesmo sem querer adiar, fiquei desmotivada, torcia pra eles dormirem mais pra dar um descanso... Foi horrível. E a dor, aliada a descobrir que eles não haviam engordado nada... Fiquei arrasada. Concordamos com a pediatra em não introduzir o complemento e tentar mais uma semana, passando uma pomadinha e usando o bico de silicone da MAM, pra diminuir a dor.

       Essa segunda semana, fiz de tudo. Abriam a boca pra emitir um som, eu dava peito. Menos quando tinham acabado de mamar. Eu evitava amamentar toda hora por causa da dor. E acho que por causa disso, não estimulei o suficiente a produção. E com isso, eles não se alimentaram direito. Ao fim dos primeiros 15 dias, na consulta, vimos que não ganharam peso nenhum, praticamente. A pediatra, preocupada, dizia que não ganhar peso nas primeiras duas semanas era preocupante e poderia comprometer o desenvolvimento cerebral. Então... deveríamos introduzir o complemento.

       Não consegui segurar. Chorei ali mesmo, continuei chorando o resto do dia. Sempre ouvi que o principal da amamentação é você acreditar que era possível. Não era, porque eu acreditei e não consegui. E eu não sei bem porque não consegui. Eu tento imaginar o que poderia fazer diferente, como eu disse aí em cima, tento imaginar que se eu tivesse ficado com os dois pendurados o tempo todo talvez eu tivesse leite... Talvez nada ajudasse, talvez seja uma condição física minha... Talvez eu não estivesse bebendo água o suficiente, sei lá! Sei que eu acreditei e fiz de tudo que achava possível. Eu estava me achando a mais incapaz, a pior mãe do mundo. Talvez eu já estivesse transparecendo este estado de espírito, porque a pediatra, junto com o complemento, receitou um antidepressivo que tinha como efeito colateral o estímulo da produção de leite.

       Até que as semanas seguintes se mostraram um pouco melhores e o sol surgiu por detrás das nuvens...

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