Ah, os sofrimentos da gravidez... A louca furiosa aqui nunca conseguiu se tranquilizar. A única coisa que me tranquilizava era o dia da ultrassonografia. Era aí que eu ia ouvir os batimentos, fazer as medições, saber do desenvolvimento... No resto do tempo, como saber se estava tudo bem?
Ficava sempre me perguntando: como viviam as mães sem o ultrassom? Não saber o sexo, não saber se é 1 ou se são 2, não saber como está o corpinho, e por aí vai! Acho que é aquela velha questão: não havia, naquele tempo, a possibilidade de saber essas coisas, então ninguém convivia com a sensação de "poderia estar sabendo, mas não estou". A única realidade era a dos consultórios, a habilidade dos obstetras ou, mais antigamente, a das parteiras. Mas com o ultrassom, ah... como é que tanta gente vive na dúvida?
Eu fiz uma por mês. E cada dia passado, após a sessão
de ultrassom, era um passo mais próximo da neura. Ontem eu ouvi os corações, mas e hoje? Antes de os bebês mexerem na barriga, eu me preocupava com o crescimento. Estariam se desenvolvendo? Será que o japonês que comi na semana anterior prejudicou em algo?... Depois que começaram a mexer, a preocupação era com Pedro, o quieto. Não mexeu, será que o coração está batendo? Será que estão crescendo?
de ultrassom, era um passo mais próximo da neura. Ontem eu ouvi os corações, mas e hoje? Antes de os bebês mexerem na barriga, eu me preocupava com o crescimento. Estariam se desenvolvendo? Será que o japonês que comi na semana anterior prejudicou em algo?... Depois que começaram a mexer, a preocupação era com Pedro, o quieto. Não mexeu, será que o coração está batendo? Será que estão crescendo?
Cada ultra tinha seu propósito. A primeira, para ver a implantação do, até então, singular embrião. Aí descobrimos que eram dois... A segunda, a translucência nucal. Tudo certo, descartamos os riscos de mal-formações ou síndrome genética. A terceira, a morfológica. Todo o mapinha do corpo, membros, órgãos internos, tudo ok. Depois, a ultrassonografia com doppler, pra ver os coraçõezinhos em detalhes. A partir dessa, fizemos todas com Doppler. Conseguimos encontrar um laboratório muuuuuito melhor que o que vínhamos fazendo os exames, descobrimos que várias artérias não estavam sendo analisadas, inclusive as uterinas, que tinham que ter sido medidas lá no primeiro doppler... Coisas da medicina... Por fim, ultrassons de 15 em 15, pra determinar a posição dos bebês, pra acompanhar de perto o desenvolvimento da minha gestação de risco, pra acalmar minha alma neurótica.
Mas nada adianta. Normalmente as consultas com o obstetra eram dois dias depois do ultrassom... o suficiente pra eu ficar pensando: "Dois dias é tempo suficiente pra alguma desgraça acontecer..." Felizmente, essa nuvenzinha negra que me acompanhava foi soprada pelos bons ventos da fortuna, e como resultado tanto da minha neurose quanto do meu comprometimento em levar a gravidez mais saudável possível, meus bebês nasceram super saudáveis, espertos e bastante gosmentos, como todo bebê!
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