Mais uma pergunta que sempre ouvimos: "E como foi descobrir que eram gêmeos?" A única coisa que sempre respondo é: "Não foi uma surpresa." Meu marido, da mesma maneira que sabia que eu estava grávida (e eu sem noção de nada), desde o primeiro momento falou: são gêmeos. E eu: *cara de paisagem*. Toda vez que alguém perguntava "Menino ou menina?", ele dizia: "Gêmeos".
Confesso que com essa certeza toda, eu nem estava mais curiosa, já estava indo na onda dele... Com aquela ponta de descrença, claro, mas o sexo do bebê nunca foi algo que me despertasse alguma preferência (até então, minha neurose era outra, mas conto em outro post).
Fomos à primeira consulta com uma obstetra indicada pela minha prima, um trágico encontro sobre o qual também falarei mais tarde, e saímos de lá com duas coisinhas cruciais: uma data provável de parto e um pedido de ultrassom transvaginal. Ela disse que seria improvável determinar o sexo, o exame seria feito com somente com no máximo 10 semanas, mas já daria pra ouvir o coração.
Empolgadíssimos, conseguimos marcar para o dia 2/04, na Tijuca, após ligar para um milhão de laboratórios. Chegamos lá, esperamos horas, como é de praxe em qualquer laboratório, e o coração acelerou quando fomos chamados.
Ao entrar, deitei lá na maca e a médica começou a conversar... "É a primeira ultra? Acham que vai ser menino ou menina?" O pai, naturalmente, disse: "Bom, eu tô achando que são gêmeos..." E a médica, depois de uns segundos: "É... você tá certo."
Na minha cabeça só passava
"Hã?"
"Como assim?"
"Sério?"
"Faz de novo esse exame!"
Lembro dele chegando perto do monitor, pra ver direito... Acreditando sem acreditar... "Eu sabiaaaaa!"
Duas diferentes reações: ele comemorando, eu em choque. Feliz, tinham batimentos, os dois, tinha líquido suficiente, placenta, cordão umbilical... mas eu estava em choque.
Já sabíamos que nossa vida mudaria completamente, mas o universo estava me zoando quando resolveu sinalizar que era hora de uma mudança total! Dois de uma vez! Gestação gemelar dicoriônica e diamniótica!
Na saída do exame, ainda encontramos minha mãe nos esperando do lado de fora. "E aí?", ela perguntou.
"São gêmeos!"
"Ah, seus engraçadinhos, falem sério."
"É sério!" Mas não conseguíamos parar de rir. Acho que era o nervoso... A conversa se estendeu nesse nível por alguns minutos ainda, até que ela se rendeu! Daí seguiram-se as comunicações da super mega surpresa para todos, sempre seguidas de um "Como assiiiiiiim?"
Hm, melhor dizendo: super mega surpresa pra todos, menos pro papai, que sempre soube. Ele é incrível!

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